A Polícia Civil passa por mudanças em sua estrutura. Além da extinção do Setor de Investigações Gerais (SIG) de todas as Seccionais de polícia da Capital e a reformulação do Grupo de Operações Especiais (GOE), a instituição colocou em prática o sistema de gestão da Polícia Civil nas delegacias da capital. Ganha o cidadão e o policial.
Para o diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), Carlos José Paschoal de Toledo, o novo modelo surgiu da necessidade de melhorar o atendimento ao cidadão e a qualidade de vida do policial. “Estudo realizado pela Academia de Polícia Civil (Acadepol) em parceria com o Instituto Nacional de Desenvolvimento Gerencial (INDG) indicou que, muitas vezes, a vítima não comparece à delegacia para registrar a ocorrência. Quando ocorre o contrário, a população, às vezes, enfrenta demora no atendimento. Com o excesso de trabalho e a falta de uma rotina imposta por uma carga horária pouco flexível, os policiais acabam ficando desmotivados”, justifica o diretor.
O projeto intitulado Novo Sistema de Gestão Humana e Material de Unidades inclui um pacote de mudanças, como a criação do Serviço de Atendimento ao Cidadão da Polícia Civil (SAC), que receberá reclamações durante 24 horas (por telefone (11) 3815-5449; por fax (11) 3031-5446 e e-mail sac-decap@policiacivil.sp.gov.br); alteração na jornada de trabalho dos funcionários, que passarão a operar em turnos de oito horas (das 7 às 15 horas, das 15 às 22 horas e das 22 às 7 horas); e reforço do efetivo nos horários de pico, entre outros.
O novo sistema terá sua primeira etapa nas zonas norte e leste da capital, onde estão quatro delegacias seccionais: Norte, Leste, Itaquera e São Mateus.
Na primeira fase, com 45 dias de duração, serão feitos a readequação das unidades e treinamento do pessoal. A segunda parte do projeto, que começa 30 dias após o início da primeira, prevê a extensão dessas medidas às unidades policiais das zonas sul, oeste e centro da capital – alçada das seccionais Sul, Santo Amaro, Centro e Oeste. A previsão é de que no dia 1º de agosto o projeto seja estendido para toda a cidade.
Atendimento – Os 93 distritos policiais da capital trabalharão diariamente, sem interrupção, durante 24 horas. As delegacias vão ter remanejamento de funcionários. Nos horários de pico haverá efetivo reforçado, o que reduzirá o tempo de espera, agilizando a notificação de ocorrências.
“Há casos em que uma pessoa levava até três horas para registrar uma ocorrência”, afirma Toledo. No primeiro dia do projeto, o registro de uma ocorrência demorou 20 minutos na Central de Flagrante da 7ª Delegacia Seccional (Itaquera). De acordo com Toledo, o balanço do primeiro dia é positivo, já que os novos serviços funcionaram bem e foram poucos problemas diante das mudanças.
Central de Flagrante – Outra novidade é a Central de Flagrante, que será a responsável pelo registro das ocorrências em estado de flagrante delito (prisões ou termos circunstanciados), inclusive o registro de captura de procurados da Justiça e atos infracionais. Todos os agentes operacionais – policiais civil e militar, guardas civis e demais – encaminharão as informações, documentos, indícios, provas e pessoas detidas até a sede da Central de Flagrante, onde, após análise técnico-jurídica exclusiva do delegado de polícia, será determinado o registro.
Cada uma das oito delegacias seccionais da capital terá duas novas centrais. A primeira delas, a Central de Polícia Judiciária, concentrará os serviços de polícia judiciária – boletins de ocorrência, autos de prisão em flagrante, termos circunstanciados e demais documentos necessários à prestação do serviço público eficiente. As equipes irão trabalhar todos os dias, inclusive nos fins de semana e feriados.
As delegacias da capital ficarão à disposição exclusiva da população para o registro de ocorrências e para prestação de serviços. Mesmo as unidades policiais com centrais de flagrante terão entradas separadas para a população e para as autoridades que estejam apresentando flagrantes.
As pessoas detidas serão levadas diretamente para centrais de flagrante, onde permanecerão até a transferência para unidades da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). A medida visa evitar deslocamentos desnecessários dos presos, além de permitir economia de combustível, viaturas e ofícios. Reduz, também, a demanda por exames de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), necessários quando os presidiários são transferidos de unidade.
As centrais de flagrante possibilitam, ainda, que o policial militar retorne mais rápido para trabalhar no policiamento ostensivo preventivo. As equipes dos distritos policiais serão formadas de acordo com a demanda de cada região e serão responsáveis pelo atendimento da comunidade local, com o registro de boletins de ocorrência, mas também em ações de natureza não criminal, orientações, apreensões.
Mais serviços – A Polícia Civil ampliará os serviços prestados à comunidade. Os boletins registrados em delegacias ou unidades da Polícia Militar para comunicar acidentes de trânsito sem vítimas também poderão ser feitos pela internet. Os distritos policiais também vão passar a receber queixas não criminais, como falta de água e luz, problemas com TV e internet, etc.
As reclamações poderão ser feitas de três formas: pela delegacia eletrônica, na delegacia em formulário próprio ou com a ajuda de um policial. Após o registro, os casos serão analisados pelo delegado responsável e, se houver indício de crime, serão investigados. Se uma reclamação não for criminal, será encaminhada aos órgãos responsáveis.
Fim de ciclo – A reestruturação prevê ainda a extinção do SIG e a reformulação do GOE. Após 15 anos, a divisão (especializada nas investigações de estelionato, contra a fé pública e vadiagem) encerra suas atividades. A tribuição de combater esses crimes passará às unidades territoriais, que serão fortalecidas.
O GOE foi criado em 1991 e atualmente é uma unidade de recursos especiais do Departamento de Polícia Judiciária da Capital, que está pronta para auxiliar qualquer órgão da Polícia Civil. O GOE passará por reestruturação para atuar de forma diferenciada em todas as regiões da capital, conforme as necessidades de combate a crimes atuais.
Maria Lúcia Zanelli - Da Agência Imprensa Oficial
Fonte: Secretaria da Segurança Pública São Paulo
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quinta-feira, 7 de julho de 2011
terça-feira, 5 de julho de 2011
Respirômetro mede qualidade do ar nos terminais de ônibus em SP
Aparelho marcou 214 µg/m³ de partícula no Terminal Santo Amaro.
Dentro do ônibus qualidade também foi ruim: 189 µg/m³.
O Respirômetro circulou nesta terça-feira (5) pelos terminais de ônibus da capital paulista para avaliar a qualidade do ar. A sugestão de reportagem foi de uma telespectadora. No terminal de ônibus Santo Amaro, na Zona Sul, o aparelho marcou 214 µg/m³ de partícula, considerado péssimo. No Largo 13 de Maio, a qualidade estava ruim – 134 µg/m³ de material particulado.
Dentro dos ônibus a situação é bem parecida. O ar foi considerado péssimo – 189 µg/m³. No Terminal Dom Pedro II, no Centro, circulam diariamente 250 mil passageiros em 92 linhas. Nele, o ar estava bem ruim – 136 µg/m³ de material particulado.
A medição também foi feita com as janelas do ônibus fechadas. O índice também ficou altíssimo, um risco para a saúde do motorista e cobrador que ficam oito horas por dia respirando esse ar. No Terminal Bandeira o índice foi de 192 µg/m³ de partícula, mais uma vez péssimo.
Fonte: G1
Dentro do ônibus qualidade também foi ruim: 189 µg/m³.
O Respirômetro circulou nesta terça-feira (5) pelos terminais de ônibus da capital paulista para avaliar a qualidade do ar. A sugestão de reportagem foi de uma telespectadora. No terminal de ônibus Santo Amaro, na Zona Sul, o aparelho marcou 214 µg/m³ de partícula, considerado péssimo. No Largo 13 de Maio, a qualidade estava ruim – 134 µg/m³ de material particulado.
Dentro dos ônibus a situação é bem parecida. O ar foi considerado péssimo – 189 µg/m³. No Terminal Dom Pedro II, no Centro, circulam diariamente 250 mil passageiros em 92 linhas. Nele, o ar estava bem ruim – 136 µg/m³ de material particulado.
No corredor mais movimentado da capital, que leva até o Terminal Bandeira, em nenhum momento a medição ficou abaixo dos 100 µg/m³. São 14 km, 54 linhas e 615 mil passageiros por dia. Quem andou pelo corredor nesta terça-feira (5) respirou ar ruim o tempo todo.
A medição também foi feita com as janelas do ônibus fechadas. O índice também ficou altíssimo, um risco para a saúde do motorista e cobrador que ficam oito horas por dia respirando esse ar. No Terminal Bandeira o índice foi de 192 µg/m³ de partícula, mais uma vez péssimo.
Fonte: G1
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Santo Amaro é o bairro a gastar mais água em SP
Bairros com amplos jardins, áreas gramadas e repletas de árvores. Mansões de vários cômodos, com quadras de esporte e piscina. O sonho de muitos tem um preço alto e não apenas financeiro – atinge também o meio ambiente. Para satisfazer a esses desejos de consumo, os bairros nobres acabam sendo também os maiores consumidores de água na cidade de São Paulo. E, entre eles, a região do Jardins, na zona sul, é disparada a campeã.
A pedido da reportagem, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) elaborou um mapa das regiões que mais consomem água na capital – por média de domicílio. Os moradores dos Jardins gastam em média 21,7 mil litros por mês – 48,6% a mais que a média da cidade.
Isso não significa que os moradores do bairro desperdicem água, larguem torneiras abertas ou liguem o chuveiro cinco minutos antes de entrar no banho. São as próprias características do bairro que explicam o alto consumo. Paulo Massato Yoshimoto, diretor da região metropolitana da Sabesp, afirma que o consumo de água é proporcional ao poder econômico.
- Quanto maior o poder econômico, maior o consumo de água. Uma região da cidade onde casas têm quintal grande, com gramados, jardins e calçadas que precisam ser lavadas, além das piscinas, certamente vai gastar muito mais.
Outros bairros com características semelhantes também aparecem como líderes em consumo. Santo Amaro, na zona sul, e Butantã, na oeste, ocupam segundo e terceiro lugares na lista, com gastos respectivamente de 17,9 mil e 17,4 mil litros por domicílio.
Por outro lado, a região que menos gasta água é o Campo Limpo, com consumo médio de 13,6 mil litros mensais por domicílio. Itaim Paulista, na zona leste, também apresenta baixa média de consumo, com 12 mil litros por domicílio.
Fonte: O Estado de S. Paulo
A pedido da reportagem, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) elaborou um mapa das regiões que mais consomem água na capital – por média de domicílio. Os moradores dos Jardins gastam em média 21,7 mil litros por mês – 48,6% a mais que a média da cidade.
Isso não significa que os moradores do bairro desperdicem água, larguem torneiras abertas ou liguem o chuveiro cinco minutos antes de entrar no banho. São as próprias características do bairro que explicam o alto consumo. Paulo Massato Yoshimoto, diretor da região metropolitana da Sabesp, afirma que o consumo de água é proporcional ao poder econômico.
- Quanto maior o poder econômico, maior o consumo de água. Uma região da cidade onde casas têm quintal grande, com gramados, jardins e calçadas que precisam ser lavadas, além das piscinas, certamente vai gastar muito mais.
Outros bairros com características semelhantes também aparecem como líderes em consumo. Santo Amaro, na zona sul, e Butantã, na oeste, ocupam segundo e terceiro lugares na lista, com gastos respectivamente de 17,9 mil e 17,4 mil litros por domicílio.
Por outro lado, a região que menos gasta água é o Campo Limpo, com consumo médio de 13,6 mil litros mensais por domicílio. Itaim Paulista, na zona leste, também apresenta baixa média de consumo, com 12 mil litros por domicílio.
Fonte: O Estado de S. Paulo
Bairros da zona sul de SP entram em alerta devido ao frio
Temperatura chegou a menos de 10ºC na região de Santo Amaro, M'Boi Mirim, Campo Limpo e Parelheiros
SÃO PAULO - A Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (COMDEC) colocou em estado de alerta as regiões de M''Boi Mirim, Santo Amaro, Cidade Ademar, Parelheiros, Capela do Socorro e Campo Limpo, nas quais a temperatura chegou a menos de 10ºC. As demais regiões da cidade de São Paulo estão em estado de atenção, pois a temperatura atingiu 13ºC.
A decretação alerta os agentes da Assistência Social, Guarda Civil Metropolitana (GCM), Saúde, Infraestrutura Urbana e Subprefeituras para oferecerem encaminhamento ou acolhimento às pessoas em situação de risco.
Caso haja algum chamado para remoção de moradores de rua para o 199, será encaminhado à Central de Atendimento Permanente de Emergência - CAPE (3397-8850 e 3228-5554), do serviço municipal 156 e Serviço de Atendimento ao Cidadão - SAC. A GCM também pode ser acionada pelo 153.
Fonte: estadão.com.br
São Paulo tem novo sistema de gestão nas delegacias
Começa hoje a primeira fase do projeto do novo sistema de gestão da Polícia Civil nas delegacias da capital paulista, com o objetivo de agilizar o registro de ocorrências e melhorar o atendimento ao público. A Polícia Civil vai mudar o padrão de atendimento e de gestão que durou mais de quatro décadas com base em estudos da Academia de Polícia Civil (Acadepol) e do Instituto Nacional de Desenvolvimento Gerencial (INDG).
O pacote de mudanças inclui a criação do Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) da Polícia Civil, que vai receber reclamações durante 24 horas, alteração na carga horária de trabalho dos funcionários, reforço de efetivo nos horários de pico, entre outras medidas.
Intitulado "Novo Sistema de Gestão Humana e Material das Unidades Territoriais da Polícia Civil da Capital", o projeto terá a sua primeira etapa na zona norte e na zona leste da cidade, alçada de quatro delegacias seccionais: Norte, Leste, Itaquera e São Mateus.
Na primeira etapa, com 45 dias de duração, será feita a readequação das unidades e treinamento. A segunda parte do projeto, que começa 30 dias após o início da primeira, prevê a extensão às unidades policiais da zona sul, zona oeste e centro da capital - alçada das seccionais Sul, Santo Amaro, Centro e Oeste. A previsão é de que no dia 1º de agosto o projeto seja estendido a toda a cidade.
Os 93 distritos policiais da capital vão trabalhar diariamente, sem interrupções, durante 24 horas. As delegacias vão ter um remanejamento de funcionários, de modo que, nos horários de pico tenham efetivo reforçado, diminuindo o tempo de espera.
Os boletins feitos em delegacias ou unidades da Polícia Militar para comunicar acidentes de trânsito sem vítimas também poderão ser feitos pela internet. Os DPs também vão passar a receber queixas não criminais, como falta de água e luz, problemas com TV e internet, entre outros. As reclamações poderão ser feitas pela Delegacia Eletrônica, na delegacia em formulário próprio ou com a ajuda de um policial. Após o registro, os casos serão analisados pelo delegado responsável e, se houver indício de crime, serão investigados. Se uma reclamação não for criminal, será encaminhada aos órgãos responsáveis.
O pacote de mudanças inclui a criação do Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) da Polícia Civil, que vai receber reclamações durante 24 horas, alteração na carga horária de trabalho dos funcionários, reforço de efetivo nos horários de pico, entre outras medidas.
Intitulado "Novo Sistema de Gestão Humana e Material das Unidades Territoriais da Polícia Civil da Capital", o projeto terá a sua primeira etapa na zona norte e na zona leste da cidade, alçada de quatro delegacias seccionais: Norte, Leste, Itaquera e São Mateus.
Na primeira etapa, com 45 dias de duração, será feita a readequação das unidades e treinamento. A segunda parte do projeto, que começa 30 dias após o início da primeira, prevê a extensão às unidades policiais da zona sul, zona oeste e centro da capital - alçada das seccionais Sul, Santo Amaro, Centro e Oeste. A previsão é de que no dia 1º de agosto o projeto seja estendido a toda a cidade.
Os 93 distritos policiais da capital vão trabalhar diariamente, sem interrupções, durante 24 horas. As delegacias vão ter um remanejamento de funcionários, de modo que, nos horários de pico tenham efetivo reforçado, diminuindo o tempo de espera.
Os boletins feitos em delegacias ou unidades da Polícia Militar para comunicar acidentes de trânsito sem vítimas também poderão ser feitos pela internet. Os DPs também vão passar a receber queixas não criminais, como falta de água e luz, problemas com TV e internet, entre outros. As reclamações poderão ser feitas pela Delegacia Eletrônica, na delegacia em formulário próprio ou com a ajuda de um policial. Após o registro, os casos serão analisados pelo delegado responsável e, se houver indício de crime, serão investigados. Se uma reclamação não for criminal, será encaminhada aos órgãos responsáveis.
Fonte: estadão.com.br
Denúncias de violência doméstica já crescem em toda a capital paulista
Com base nas estatísticas de 11 fóruns regionais, uma pesquisa inédita mapeou pela primeira vez os índices de violência doméstica contra a mulher em São Paulo. A pesquisa encomendada pela juíza assessora da presidência da Seção Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo Maria Domitila Domingos mostra que este é um problema comum a todas as áreas da cidade - e não só às regiões mais carentes.
"O estudo reforça a necessidade de um trabalho mais especializado", diz Maria Domitila. Desde que a Lei Maria da Penha foi aprovada, em 2006, a Justiça ganhou instrumentos legais para combater esse tipo de crime. Muitos casos, no entanto, não chegam ao tribunal. Bem antes disso, ainda na delegacia, caem na vala comum dos crimes, e não raro são encarados como uma "briguinha de marido e mulher". "É um crime que acontece dentro de quatro paredes e acaba sendo banalizado pela sociedade", diz a promotora Maria Gabriela Manssur. "Identificá-lo com rapidez pode significar salvar uma vida."
A preocupação da Justiça é evitar casos como o de Eliza Samudio, que em outubro de 2009 fez um boletim de ocorrência denunciando ter sido agredida e forçada a tomar remédios abortivos pelo então amante, o goleiro Bruno. Nenhuma medida legal foi tomada. Acusado de matar a jovem, Bruno foi condenado a 4,5 anos de prisão por lesão corporal, cárcere privado e constrangimento ilegal em dezembro do ano passado.
Especialização. "Os números reais da violência contra a mulher são superiores ao volume que chega à Justiça", diz Maria Gabriela. Há dois anos, no Fórum da Barra Funda, foi criada a primeira vara especializada, o Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. "Na época, questionava-se se haveria demanda que justificasse seu funcionamento", lembra a desembargadora Angélica de Maria de Almeida Mello, do Tribunal de Justiça de São Paulo. "Bastou criar um sistema especializado para as denúncias surgirem."
Quando o serviço abriu as portas eram 49 casos. A vara fechou 2010 com 2.522 inquéritos e processos em andamento. Não por outra razão, o Fórum da Barra Funda aparece no mapa da violência como o campeão em volume de processos e inquéritos, seguido pelo Fórum de Santo Amaro, com 1.595, e Itaquera, 1.385.
Isso não quer dizer que a região do Fórum da Barra Funda seja a com maior número de vítimas, mas sim onde elas encontram recursos mais ágeis e específicos para seguirem com suas denúncias. Ali foi montada uma equipe multidisciplinar, com uma psicóloga e uma assistente social, responsáveis por analisar o caso e encaminhar a vítima e o agressor, quando necessário, para ONGs e serviços públicos, como grupos de dependentes químicos e alcoólicos anônimos, entre outros. A vítima tem facilidades como o direito a um defensor público - e não apenas o réu. Além disso, a vara concentra os casos da região e de toda capital, quando graves, cujas vítimas correm risco de morte.
Há muitas mulheres que desistem da denúncia. Dependência econômica, pressão do companheiro, filhos e o envolvimento emocional pesam na hora de se defenderem na Justiça. "Não é um crime comum. O agressor é alguém íntimo da vítima", diz Maria Gabriela. No Fórum de Santo Amaro, apenas 30% dos inquéritos viram processos.
"Esse dado nem sempre avalia agilidade e êxito da Justiça", diz Aparecida Angélica Correia, juíza da 1.ª Vara Criminal do Juizado da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher do Fórum Regional de Pinheiros.
Respeito. "As mulheres querem ser respeitadas. Elas chegam esperando uma ação rápida e eficaz da Justiça, mas nem sempre o processo é o melhor caminho, ao contrário, pode levar à perda do emprego do agressor, considerado muitas vezes bom pai, e piorar o drama familiar."
A juíza tenta resolver a situação com acordos provisórios. "Muitas brigas são motivada pela separação dos bens", conta. Depois do acordo firmado, ela continua controlando o desenrolar do caso para ver se medidas mais duras serão necessárias.
"Estamos vivendo uma mudança de mentalidade", diz o juiz Sergio Hideo Okobayashi. "Hoje, nos BOs já existe espaço especial para a Lei Maria da Penha. Mas o machismo é grande."
"O estudo reforça a necessidade de um trabalho mais especializado", diz Maria Domitila. Desde que a Lei Maria da Penha foi aprovada, em 2006, a Justiça ganhou instrumentos legais para combater esse tipo de crime. Muitos casos, no entanto, não chegam ao tribunal. Bem antes disso, ainda na delegacia, caem na vala comum dos crimes, e não raro são encarados como uma "briguinha de marido e mulher". "É um crime que acontece dentro de quatro paredes e acaba sendo banalizado pela sociedade", diz a promotora Maria Gabriela Manssur. "Identificá-lo com rapidez pode significar salvar uma vida."
A preocupação da Justiça é evitar casos como o de Eliza Samudio, que em outubro de 2009 fez um boletim de ocorrência denunciando ter sido agredida e forçada a tomar remédios abortivos pelo então amante, o goleiro Bruno. Nenhuma medida legal foi tomada. Acusado de matar a jovem, Bruno foi condenado a 4,5 anos de prisão por lesão corporal, cárcere privado e constrangimento ilegal em dezembro do ano passado.
Especialização. "Os números reais da violência contra a mulher são superiores ao volume que chega à Justiça", diz Maria Gabriela. Há dois anos, no Fórum da Barra Funda, foi criada a primeira vara especializada, o Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. "Na época, questionava-se se haveria demanda que justificasse seu funcionamento", lembra a desembargadora Angélica de Maria de Almeida Mello, do Tribunal de Justiça de São Paulo. "Bastou criar um sistema especializado para as denúncias surgirem."
Quando o serviço abriu as portas eram 49 casos. A vara fechou 2010 com 2.522 inquéritos e processos em andamento. Não por outra razão, o Fórum da Barra Funda aparece no mapa da violência como o campeão em volume de processos e inquéritos, seguido pelo Fórum de Santo Amaro, com 1.595, e Itaquera, 1.385.
Isso não quer dizer que a região do Fórum da Barra Funda seja a com maior número de vítimas, mas sim onde elas encontram recursos mais ágeis e específicos para seguirem com suas denúncias. Ali foi montada uma equipe multidisciplinar, com uma psicóloga e uma assistente social, responsáveis por analisar o caso e encaminhar a vítima e o agressor, quando necessário, para ONGs e serviços públicos, como grupos de dependentes químicos e alcoólicos anônimos, entre outros. A vítima tem facilidades como o direito a um defensor público - e não apenas o réu. Além disso, a vara concentra os casos da região e de toda capital, quando graves, cujas vítimas correm risco de morte.
Há muitas mulheres que desistem da denúncia. Dependência econômica, pressão do companheiro, filhos e o envolvimento emocional pesam na hora de se defenderem na Justiça. "Não é um crime comum. O agressor é alguém íntimo da vítima", diz Maria Gabriela. No Fórum de Santo Amaro, apenas 30% dos inquéritos viram processos.
"Esse dado nem sempre avalia agilidade e êxito da Justiça", diz Aparecida Angélica Correia, juíza da 1.ª Vara Criminal do Juizado da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher do Fórum Regional de Pinheiros.
Respeito. "As mulheres querem ser respeitadas. Elas chegam esperando uma ação rápida e eficaz da Justiça, mas nem sempre o processo é o melhor caminho, ao contrário, pode levar à perda do emprego do agressor, considerado muitas vezes bom pai, e piorar o drama familiar."
A juíza tenta resolver a situação com acordos provisórios. "Muitas brigas são motivada pela separação dos bens", conta. Depois do acordo firmado, ela continua controlando o desenrolar do caso para ver se medidas mais duras serão necessárias.
"Estamos vivendo uma mudança de mentalidade", diz o juiz Sergio Hideo Okobayashi. "Hoje, nos BOs já existe espaço especial para a Lei Maria da Penha. Mas o machismo é grande."
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Igreja ocupa lugar de rua
Era para ser uma rua, mas o que se vê é um imenso canteiro de obras onde está sendo erguida a sede da Igreja Mundial do Poder de Deus. A construção da gigantesca unidade em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, começou há cerca de um ano, segundo pessoas que moram e trabalham no entorno. No entanto, segundo uma lei municipal de 1988, é por esta área que a Rua Bruges deveria continuar por mais 135 metros, até chegar à Benedito Fernandes.
Hoje, a via termina em um muro que já não encobre as colunas de concreto da igreja que, depois de pronta, vai ocupar quase um quarteirão. Não há placa que identifique autorização da Prefeitura e nome do engenheiro responsável.
Em maio, o prefeito Gilberto Kassab enviou à Câmara o projeto de lei 224, que pede a "supressão da abertura da via de prolongamento à Rua Bruges até a Rua Benedito Fernandes". Nesta semana, ele pediu urgência. O vereador Milton Leite (DEM), da Comissão de Constituição e Justiça, diz que o projeto tem pouca chance de aprovação. "Minha opinião é que esse projeto é inconstitucional. A igreja construiu a sede em cima de uma rua que existe em projeto."
A Prefeitura informou que o pedido de extinção do prolongamento da rua foi feito porque a via não "acrescentaria alternativas significativas ao tráfego local". Procurada, a Igreja Mundial do Poder de Deus não respondeu.
Fonte: Jornal da Tarde
Hoje, a via termina em um muro que já não encobre as colunas de concreto da igreja que, depois de pronta, vai ocupar quase um quarteirão. Não há placa que identifique autorização da Prefeitura e nome do engenheiro responsável.
Em maio, o prefeito Gilberto Kassab enviou à Câmara o projeto de lei 224, que pede a "supressão da abertura da via de prolongamento à Rua Bruges até a Rua Benedito Fernandes". Nesta semana, ele pediu urgência. O vereador Milton Leite (DEM), da Comissão de Constituição e Justiça, diz que o projeto tem pouca chance de aprovação. "Minha opinião é que esse projeto é inconstitucional. A igreja construiu a sede em cima de uma rua que existe em projeto."
A Prefeitura informou que o pedido de extinção do prolongamento da rua foi feito porque a via não "acrescentaria alternativas significativas ao tráfego local". Procurada, a Igreja Mundial do Poder de Deus não respondeu.
Fonte: Jornal da Tarde
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